Wilmar Lacerda carregou por muito tempo a pecha de mensaleiro. Um adjetivo bem empregado aos maus políticos que se locupletam com o dinheiro público, sejam eles ligados a Lula, a nível nacional, ou a nível local, vinculados ao ex-governador José Roberto Arruda.
Foi na época do Mensalão do PT. Wilmar era presidente regional da legenda, então literalmente afundada no vermelho, e bateu na porta de Delúbio Soares, o todo-poderoso tesoureiro do partido. Desse contato a uma esticada ao Banco Rural, onde sacou um total de 380 mil reais, foi como um passe de mágica.
Logo depois, com as contas do PT brasiliense já regularizadas, estourou o maior escândalo do governo Lula. As consequências dessa turbulência estão registradas na recente história política brasileira. Mas são poucos os que sabem que, em depoimentos prestados na Polícia Federal e no Ministério Público, Wilmar Lacerda foi isentado de culpa.
O passado ficou para trás. Hoje, com a alma lavada e responsável pela articulação política do governador Agnelo Queiroz, o ex-presidente do PT brasiliense faz o que mais gosta: costurar acordos sólidos que tenham por alvo a governabilidade, com reflexos diretos na satisfação da sociedade.
Esse Alfaiate do Buriti, como costumam apelidar os amigos mais próximos, nascido na Bahia e que adotou Planaltina como sua cidade-mãe, tem a voz pausada. Quando conversa durante o almoço - como aconteceu com este repórter -, mede as palavras, vasculha o fundo da mente em busca das memórias mais recentes, para não errar no que diz.
É com a consciência de quem acerta, que o secretário de Relações Institucionais do Palácio do Buriti garante que as mais profundas resistências à coligação PT-PMDB que viabilizou a vitória de Agnelo Queiroz e Tadeu Filippelli, embora sentidas até pouco tempo, foram definitivamente vencidas.
- Havia um clima de apreensão, até de suspeição, da parte da Érika Kokay, por exemplo. Foi preciso mostrar e provar que a aliança daria resultados, que o programa de governo seria cumprido, para que ela compreendesse e se incorporasse de braços abertos ao projeto de mudanças", diz Wilmar, ilustrando apenas uma das muitas barreiras que ele teve de enfrentar para convencer o PT como um todo a aceitar uma aliança com o PMDB.
O secretário ressalva, entretanto, que as restrições se baseavam apenas no campo ideológico, vencidos a partir dos compromissos firmados. "Em momento algum discutimos conchavos, mas um acordo forte, bem sedimentado", sustenta Wilmar.
Nosso encontro foi no Tia Zélia, um restaurante popular na Vila Planalto, tendo ao fundo a Praça dos Três Poderes. E Wilmar justificou a aliança apontando para o Palácio do Planalto.
- Seguimos o exemplo de cima. Se daria certo lá, como tem dado, teríamos todas as chances de acertar também aqui", avalia, recordando os caminhos que trilhou até compor a aliança que diz governar o Distrito Federal.
Há arestas a aparar, é verdade, ele reconhece. "Principalmente na Câmara Legislativa, onde a oposição, mesmo reduzida a três ou quatro parlamentares, é ferrenha. Porém, nada que não se resolva em cima de um diálogo franco, pois o que está em jogo é o interesse da sociedade, e não de um grupo político", observa Wilmar.
Ele credita muito a intrigas, e mesmo ao fogo amigo, que admite ter fortes entranhas no poder, as constantes notícias sobre reforma do secretariado. Contudo, garante que são meras especulações, que isso não passa de boato.
- O governador Agnelo Queiroz é homem de honrar a palavra, de manter os compromissos assumidos. Quem observar a composição do governo verá que ficaram para o fim o anúncio dos nomes mais próximos a ele. Primeiro, era preciso colocar os indicados pelos partidos aliados, para depois, e só depois, ver onde alojar o resto", enfatiza o secretário.
Segundo Wilmar Lacerda, o governador Agnelo Queiroz tem as rédeas do governo firmes nas mãos.
- Se acontecer de precisar mudar alguém, uma espécie de conselho político informal sempre é ouvido. Tomada a decisão, o partido que ocupa o espaço será comunicado e fará o substituto. São decisões maduras, mesmo sendo muitas delas demoradas. Porque é baseado na razão, e não na emoção, que um governo se destaca", encerra o secretário, pedindo uma xícara de café que sinaliza o fim do almoço. E da conversa.
Fonte: http://www.notibras.com.br/

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